Relatividade

Posted in Uncategorized on 17 17UTC Fevereiro 17UTC 2010 by jgabriellopes

Que luz ainda virá
a tempo de ver
o trem do tempo passar?

Desilusão

Posted in Uncategorized on 21 21UTC Setembro 21UTC 2009 by jgabriellopes

A ilusão está perdida.

Dá com a mão num ponto de ônibus qualquer
e subindo as escadas vai ao chão.

Cai no duro asfato,
olha pro alto

vê-se nos braços da solidão.

Tempo real

Posted in Uncategorized on 18 18UTC Maio 18UTC 2009 by jgabriellopes

A morte morre na correria,
igrejas vitimam heresia,
vida que voa feito balão,
cisma que une em contradição.

Agora é ontem e porvir,
meu eu não é em si,
o outro se mostra presente,
à luz do outro-eu ausente.

Vida não é agora,
Dois segundos se tornam uma hora,
sempre é sempre porque nunca foi
sempre é sempre porque já se foi.

E em meio a tudo isso
sujeito-objeto omisso,
espírito de mim
desvendado em metonímia.

Cidade

Posted in Uncategorized on 18 18UTC Maio 18UTC 2009 by jgabriellopes

Brisa suave, miniaturas de vento.
A mão protetora, uma pedra viajante.
Molas da cadeira em que agora sento
não mais que ecoam som de corpo distante.

Uma viola na mão, espumas no ar,
Um homem no chão, criança a brincar.
Ele só tem sete cordas, quisera tocar,
ela deixa de lado o sabão, vê-lo altar.

Lado a lado sentados, não há idade,
nem cor, nem nada que não os faça cantar.
O dia festeja a mediocridade
quando vê a lua ao longe fazer luar

Liberdade

Posted in Uncategorized on 18 18UTC Janeiro 18UTC 2009 by jgabriellopes

Do peito não sai o grito,
pois do sonho não sai o ato.
Do deus não brota o mito,
pois do nada não sai o fato.

Canto de amargura,
um viés de piedade.
A tela não mostra a feiura,
porque aos olhos do bem não há maldade

Nem há o riso dos infames,
ou a calúnia dos indiferentes.
Não vivo porquanto me amas
Vivo, portanto me sentes.

Fogo

Posted in Uncategorized on 18 18UTC Janeiro 18UTC 2009 by jgabriellopes

João morre dormindo
sonhando com a dor de uma lembrança.
João vive acordado
com os olhos entreabertos pelo medo.
João caminha desviando
da calçada flamejante e ardente.
João dorme estirado
pela cama que não lhe cabe.

E João repete todo dia
a mancha psicótica do seu cotidiano.
João adia seu sofrimento
e se maltrata adiantando a cura.
João não sabia se se arrependia
ou se enfiava a cara no travesseiro
para diuturnamente se odiar ao dialogar com a própria ousadia.

Criatura

Posted in Uncategorized on 18 18UTC Janeiro 18UTC 2009 by jgabriellopes

Cuide-se.
Preserve-se.
Toque-se.
Mexa-se.

Ponha.
Retire.
Ponha.
Ande.
Faça.

Fim.
Começo.
Fim.
Vida.

Cuidado.

Plante-se.

O dia das carruagens de fogo

Posted in Uncategorized on 12 12UTC Novembro 12UTC 2008 by jgabriellopes

Eu sou meu país.
Eu sou uma terra.
Eu sou um povo.

Eu não canso,
Mas também não birro.
Não insisto,
mas não resisto.

Que país,
que terra,
que povo?

Não sou mais que sombra
que ilumina a melancolia.
Não sou mais que eu,
nem mais que minha paz.

Um país,
uma terra,
um povo.

E, no final,
a escuridão.
No fim do túnel,
no fundo do poço,
em asas de avião.

Resta o sonho,
resta a vida,
resta o poema.

Nenhum país,
nenhuma sociedade,
nenhum valor.

Eu, só, eu.
Um mundo perdido em si.

Met’existência

Posted in Uncategorized on 9 09UTC Novembro 09UTC 2008 by jgabriellopes

Não importa o que me veste,
o que me envolve
ou me aquece.

Só me interessa o que os meus olhos teste,
o que em minha frente se dissolve
e a minha razão desconhece.

O que me resta
não é mais que tão serena filosofia
escondida numa fresta
d’uma porta entreaberta
para a luz de um péssimo dia.

Qualquer hora

Posted in Uncategorized on 9 09UTC Novembro 09UTC 2008 by jgabriellopes

O sonho é genealogia,
o em si de uma abstração,
e é só pelo som mudo da poesia
que se atualiza harmônica tradução

pelos corredores de minh’alma,
em desventuras, contradições
do silêncio de uma praia calma
que se revela em turbilhões.

No sonho há poder,
e há sujeito em transformação,
não pelo bobo intento do querer,
mas pela vida em reflexão.

“Os lírios não nascem da lei”,
vêm do sonho de ser flor.
Se pouco dos sonhos sei,
sei que não nascem os sonhos sem dor.

E nem os lírios sem quebrarem a casca de suas sementes.

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